“Podes não me conhecer, mas Eu sei tudo sobre ti. Eu sei quando te sentas e quando te levantas”. E com tudo o que há em mim eu sei que Ele me ama incondicionalmente, assim nesta minha particularidade, por vezes, comum.
Lembro-me desde pequeno da igreja, presente na minha vida e no meu crescimento. Como a maioria dos católicos, foi pelas mãos dos meus pais que comecei a fazer parte da igreja [católica apostólica romana]. No início comecei por frequentar a catequese, na igreja mais próxima, juntamente com colegas e amigos de infância.
A catequese, a missa, a escola e o recreio não tinham quaisquer diferenças espaciais e geográficas entre si, apenas temporais. Durante os dias de semana, ia àquele edifício para aprender e brincar, e isto era a minha escola primária, igual a tantas outras. No entanto, ao domingo, o átrio enchia-se de cadeiras e era lá que participava na catequese e na missa.
Tenho a certeza que, nestes tempos, não fazia grande noção do que era igreja, fé, Deus ou Cristo. Sabia que aquele era mais um dia em que me podia juntar a amigos, para brincar e conhecer coisas novas.
Ao passar os anos, com o diploma da 4ª classe numa mão e o da 1ª comunhão na outra, muitos amigos não só saíram daquela escola, mas também saíram da igreja. Os jogos de pc e os desenhos animados, numa madrugada de domingo, tornaram-se bem mais sedutores que a missa celebrada por um senhor velhote, acompanhado por um grupo de senhoras a esganiçar “ a 13 de Maio na cova de iria”. Desta forma, tal como os meus amigos, eu fui-me afastando desse lugar que tanto me marcou.
Foi só ao mudar de escola, pela segunda vez, agora para o secundário, que me foi feita uma nova proposta – “queres ir para o grupo de catequese do 10º volume?”. Ante os sorrisos da minha mãe e da amiga não consegui, ou não quis, dizer “não”. Comecei, assim, a frequentar o grupo de jovens e a catequese, na igreja vizinha.
No início era tudo novo: caras, padre, parede e cânticos. Até parecia que Deus era outro.
Deus não era outro, o crescer apenas me fez vê-Lo de outra forma.
Desde esse dia que tenho estado na paróquia. Já se passaram 10 anos e parece que tudo passou a correr. Neste tempo, dei e recebi. Fiz o esforço para me ir conhecendo, e para que aquilo que sinto e penso se reflicta na minha maneira de agir.
Aprendo todos os dias algo novo de mim, e apesar de não o sentir sempre, sei que Ele me ama incondicionalmente, mesmo com toda a minha complexidade.

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